A Filha da Mãe
ICON MANIA
(2020)
O projeto é uma reflexão visual da complexidade da imagem. Sendo que o que pretendo dela é que de alguma forma consiga intrigar-me a mim e ao espectador, idealmente, que não permita uma leitura à primeira vista, mas sim que obrigue o espectador a observar as perturbações da imagem.
Trata-se de um projeto muito relacionado com o simulacro, devido á sua carga simbólica e encenação da realidade. Podendo até entrar no campo da PopArt não só pela temática, inspiração na cultura de massas e a predominância da cor, mas também pela repetição do real traumático.
Um projeto que dá importância ao eu poético, ao narcisismo e à artificialidade. A repetição da imagem do "eu", torna-o vazio. O humano torna-se um ícone, deixa de ter vida para passar a ser mais um objeto simbólico da imagem.
É um sair da caixa, mas mantendo sempre algo de mim. É uma tentativa de fuga ao editorial, que inconscientemente me invade por tantas vezes que me foi imposto pelos media.
Ceia-se
(2020)
A idolatria da imagem faz parte da história da humanidade. Os povos da Antiguidade tinham como ponto principal de adoração objetos representativos das suas divindades. Ainda que condenada por algumas religiões, a idolatria da imagem de um ou vários Deuses é também um marco na história. E hoje mais do que nunca, somos diariamente bombardeados com milhões de imagens diariamente, adoramos as imagens, religiosamente.
No entanto o foco do projeto é a adoração da sua própria imagem, o amor pela imagem do espelho levado a um extremo. Em que o eu poético se consome e a vida gira só e apenas à volta da sua própria imagem. Quando o nosso próprio Deus somos nós próprios.
(auto)retrato
(2019)
Este projeto passou por muitos formatos antes de chegar as minhas costas. Quem me conhece sabe que choro muito e maior parte das vezes que chorava nestes últimos anos tirava uma selfie, se a selfie por si só já é um ato narcisista, ter uma série de selfies a chorar chega a ser um ato obsessivo. Decidi então assumir esse lado egocêntrico e obcecado comigo próprio e parti para o campo da impressão. Tornando as fotografias físicas, e colando-as na parede, estas ganham uma outra dimensão. Algo que se assemelha aos posters na parede de um ídolo, como se fosse um altar, uma auto-idolatria. A fotografia final, é uma captação das fotografias afixadas na parede.
Mas depois de uma reflexão, de quem sou eu para além de uma chorona narcisista, apercebi-me que no meio de tantas outras coisas sou como uma projeção das mágoas, todas as vezes que chorei tiveram influência no que sou hoje. E é aí que surge este vídeo. O que me fez chorar é como uma agulha que me espeta no entanto que já pus para trás das costas. Coisas do passado que me fazem ser o que sou hoje.
TEMPO
(2018)
SOMBRA
(2018)
Este projeto teve como inspiração as obras de Man Ray. Sendo imagens com sombra e luz, caracterizadas pelo contraste, achei adequando para desenvolver a preto e branco. O trabalho representa muito o intimo, não só pelas imagens terem um caráter de nudismo, mas também pelo meu envolvimento no processo de revelação das mesmas (analógico).
Um projeto de contrastes entre luz e sombra, entre branco e preto, de círculos e riscas, centrada no corpo humano, no detalhe e na beleza do mesmo.

